
Do ofício …
Estava eu em desespero por causa do Raio do X, quando tocou o telefone; a minha ansiedade tinha razão de ser, é que uma semana sem ter notícias dele faz qualquer santo entrar em stresse.
Era o seu raptor a informar que tinha decidido não pedir resgate e entregar-me o dito cujo.
Desloquei-me á “Lapa” onde fui recebido por uma funcionária que muito educadamente me pediu desculpa pelo transtorno causado e entregou-me o tresviado do X.
Eu gosto de situações claras, reclamo só quando o bom senso não existe; aceitei o pedido de desculpa, só lamento o atraso na resolução deste caso porque me causou enormes incómodo.
Na verdade isto só aconteceu e acontece porque: São ossos do ofício.
Recentemente na Soporcel um trabalhador sofreu um acidente de trabalho ao executar uma tarefa que devia de ser feita pelos engenheiros ou doutores que envergonham o tribunal com lindas frases sem nexo; a tarefa em causa foi executada por mim centenas de vezes a mesma pela sua violência transforma trabalhadores saudáveis em seres descartáveis, mas quando os acidentes acontecem os peritos em coisa nenhuma afirmam que a culpa é do trabalhador; nestes casos o que é que faz a Inspecção Geral de Trabalho?
São ossos do ofício.
O acidente foi registado e o operário esteve de baixa pelo seguro (o que é positivo e demonstra que valeu a pena lutar, no meu caso a Soporcel Fugiu á sua responsabilidade e o médico da empresa limitou-se a cuspir para o ar e a inventar hérnias hereditárias) mas levou um puxão de orelhas dos senhores engenheiros porque o culpado pelo acidente foi ele ao executar uma tarefa que Não se pode fazer de outra forma a não se que a mesma seja executada por engenheiros ou doutores.
São osso do ofício.
Certo é que este operário vai ser penalizado na sua avaliação e vai ter a vida mais dificultada dentro desta empresa; a causa foi: Trabalhar, mas se não o fizesse, havia certamente um perito em processos disciplinares, tipo o mestre, que lhe fazia a folha e o motivo seria desobediência.
“Os ossos esses gastam-se, o ofício fica…”
Silvério
